
A fórmula triângulo amoroso + sobrenatural com mocinha especial superimportante para o planeta não é mais novidade para mim, ou seja, todo o plot do livro é basicamente o mesmo de vários outros. Ainda mais levando em conta que, como já é dito logo na contracapa do livro, a protagonista tem um namorado que acaba… Bem, ele acaba não podendo mais ficar por perto do jeito certo. Iniciei a leitura e, em certo momento, me vi pensando que era parecido com “A Mediadora” (da Meg Cabot).
No final das contas, nem é tão parecido assim – tem características semelhantes por causa de todo aquele papo de ‘eu vejo gente morta’. Em “Nas Sombras”, todo evento envolvendo pessoas mortas é tratado de uma maneira diferente. Não há necessidade constante de segredo, já que todos nascidos depois de determinado momento têm a habilidade de ver falecidos, e também há muito mais regras, já que não são essas pessoas que decidem o que podem ou não fazer com seus poderes (pelo menos não da maneira como Suze e os outros Mediadores podiam).
“O reality show sobre famílias vivendo com os fantasmas de seus entes queridos agora estava oficialmente fora da minha lista de programas a assistir.”
Há algo de extremamente mórbido em lidar com gente morta como nesse livro. Apesar de ser leitura para jovens, acredito que dá pra sentir um pouco de desespero em ver como é a relação vivo-morto. A partir do momento em que você pode ver alguém e conversar com essa pessoa, mesmo depois que ela morre, ela morre de fato? Qual é o sentido de uma existência espiritual, completamente desprovida de contato físico com as pessoas e com o ambiente? Qual é o momento em que a presença de um falecido ao seu lado deixa de ser um conforto e passa a ser um peso? São perguntas que não são abordadas tão profundamente (mas dá pra ter uma idéia através da Aura, nossa superimportante protagonista), e que ficaram na minha cabeça.
Além de não poder estar ao lado da pessoa amada, você também não pode se despedir dela. É cruel e é uma perspectiva horrível.